Após a leitura do texto sobre currículo, narrativa e futuro social, de Ivor Goodson, o autor faz referencia a três tipos de aprendizagem:
* PRIMÁRIA: É o primeiro nível de aprendizagem de conteúdos do currículo formal;
*SECUNDÁRIA: É a “deutero”, ou seja, é o processo subterrâneo do aprender a aprender. Não depende tanto do professor e do aluno, mas mais do ambiente em que estão inseridos.
* TERCIÁRIA: Trata do aprender a quebrar a regularidade, a reorganizar as experiências fragmentadas, a romper com as prescrições predeterminadas do currículo, a apropriar-se e narrar o seu próprio currículo. Aprendendo sobre si mesmo e interagindo assim, como um ser social em um determinado ambiente. A ideologia do currículo como prescrição se baseia na “crença de que podemos imparcialmente definir os principais ingredientes do desenvolvimento do estudo, e então ensinar os vários segmentos e seqüências de uma forma sistemática”. A ideologia que comanda o currículo como prescrição é a dominante (quanto mais poderoso e rico mais terá influência na definição do currículo).
O currículo como prescrição sustenta algumas místicas de que a especialização e o controle são inerentes ao governo central, às burocracias educacionais e à comunidade universitária. Há a aceitação de que existem as relações de poder e de que pode haver uma convivência pacífica desde que ninguém as revele. Os custos de cumplicidade envolvem a aceitação de modelos estabelecidos de relações de poder. O pouco do poder cotidiano e da autonomia das escolas e dos professores depende da aceitação dessa “realidade”. Talvez por isso os professores fiquem em silêncio e também sejam deixados de fora do discurso da escolarização. O financiamento dos estudos dos currículos foi direcionado para os que se beneficiam com a mística, como as universidades.
No texto, o autor também estabelece uma relação entre os conceitos de currículo, prescrição, poder e exclusão, onde coloca que o currículo foi inventado basicamente, como forma de dirigir e controlar o credenciamento dos professores e sua potencial liberdade nas salas de aula. Um mecanismo de reprodução das relações de poder existentes na sociedade, onde filhos de pais ricos e poderosos beneficiam-se da inclusão pelo currículo ao contrário das classes menos privilegiadas que sofrem a exclusão pelo mesmo.
Goodson apresenta ainda as idéias-chave sobre a relação entre o conhecimento escolar que é aceito e o que é rejeitado. Para isto toma em conta a invenção das disciplinas de ciências e estudos ambientais. Coloca-nos que para que ocorra a inclusão de determinada disciplina, é necessário que se atenda aos interesses vigentes, tornando-se, desta forma, “tradicional”, “aceita”. A partir do momento que a disciplina serve para os menos privilegiados, esta é a hora de retirá-la ou reorganizá-la. Foi o que ocorreu com a de ciências “ciências das coisas comuns”, uma tentativa de ampliar a inclusão social relacionando o currículo de ciências com as experiências do mundo natural de alunos em suas casas, em seu cotidiano e no trabalho. Como obteve sucesso, fazendo com que os alunos menos favorecidos fossem intelectualmente superiores aos que faziam parte das classes mais privilegiadas, ocorreram mudanças no seu ensino. Assim, as disciplinas escolares tiveram que desenvolver uma forma aceitável para as “classes mais altas”, ou seja, ficou eminente a evidência de que a inclusão social, realmente não era o interesse principal.
O autor, baseando-se em Bauman, Z. (2001) afirma que na nova era da organização flexível do trabalho, o currículo produtivo é totalmente inadequado, requerendo uma substituição por novas formas de organização da aprendizagem. Apresenta o conceito de aprendizagem narrativa relacionando-o ao conceito de capital cultural e simbólico de Bourdieu. Aprendizagem narrativa, segundo Goodson, é “aprender a ser social em um determinado ambiente”, ou seja, é um tipo de aprendizagem que se desenvolve na elaboração e na manutenção continuada de uma narrativa de vida ou de identidade. O trajeto, a busca e o sonho são os motivos centrais para a contínua elaboração de uma missão de vida. A aprendizagem precisa ser vista como uma resposta para situações reais, onde o aluno se sinta atraído, engajado. “No novo futuro social, devemos esperar que o currículo se comprometa com as missões, paixões e propósitos que as pessoas articulam em suas vidas. Isto seria verdadeiramente um currículo para empoderamento. Passar da aprendizagem prescritiva autoritária e primária para uma aprendizagem narrativa e terciária poderia transformar nossas instituições educacionais e fazê-las cumprir sua antiga promessa de ajudar a mudar o futuro social de seus alunos.” (GOODSON, Ivor).
É necessário que todos os envolvidos com currículo, proponham o que de fato é importante ser trabalhado com os alunos, que método será usado, procurando sempre estar atento ao que está acontecendo ao seu redor, as necessidades, aos desejos e objetivos dos alunos para que ocorra de forma efetiva o que se propõem tanto no Projeto Político Pedagógico da escola, como na Proposta Pedagógica do professor.


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